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Arturito: O restaurante de Paola Carosella

Conheci Paola Carosella através do MasterChef.

Não sou hipócrita, também devo ter sido um dos tantos que desconhecia seu trabalho. Principalmente por estar distante do cenário gastronômico paulista. Muitos tem aversão ao programa. Devem ter suas razões. Mas eu tenho um caso com a Chef argentina. De admiração, é óbio (leia isso com o sotaque dela). A cada programa, seu amor para com a gastronomia é evidente, deve exalar mais do que qualquer aroma dos pratos feitos pelos amadores em estúdio. Demonstra domínio na cozinha, sua finessè se baseia no simples e o respeito com o alimento transcende. Assistir a um episódio do reality e não preencher ainda mais a barra de admiração é um trabalho difícil. Mais difícil ainda é ir à São Paulo e não se esforçar em ir a um de seus restaurantes.

Numa rápida passagem pela capital, estivemos num deles: o Arturito.

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Por óbio, o restaurante tem feito bastante sucesso na cidade, assim como os restaurantes dos demais chefs jurados do programa (Erick Jacquin e Henrique Fogaça). Chegar lá sem ter uma reserva é um ato de muita coragem. E assim fizemos.

Como era segunda-feira, a casa estava com movimento tranquilo, segundo um dos excepcionais atendentes, apesar da fila de espera. Chegamos por volta das 20h e colocamos nosso nome na espera. Enquanto aguardávamos uma mesa, pudemos analisar um pouco do menu.

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Para os mais curiosos, o cardápio completo pode ser visto no site do restaurante.

Como estávamos em frente ao bar, pedimos uma caipirinha. Como não conhecíamos a casa, pedimos o drink com a cachaça mais pedida. Explico, a casa oferece três tipos de aguardente: Nega fulô, Serra das Almas e Leblon. A primeira é a que tem maior saída, portanto, nossa escolha.

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O método de preparo é um pouco diferente, é verdade, mas o sabor é ótimo. Não costumo fazer menção à barman mas, pelos poucos drinks que o vi fazer em minha frente, muito me impressionou.

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Com o tempo, muitas pessoas foram chegando e, obviamente, ocupando o espaço de espera, sendo que também era possível pedir algumas entradas como, por exemplo, as famosas empanadas argentinas. E devo dizer: muito me entristece ver uma pessoa comer essa famosa iguaria de garfo e faca, como se estivessem comendo um bolo de festa. É patético.

Com menos de 1h de espera, adentramos ao salão. Ele engana, não é tão grande. Não teve ter mais que 15 mesas. Nota-se, portanto, a real importância da reserva com antecedência.

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Assim que chegamos à mesa, fomos atendido pelo Eduardo. Que simpatia! Florianópolis deveria importar clones desse rapaz. De competência sem igual, ele nos oferece o couvert da casa: pão de fermentação natural e manteiga (R$9,50 por pessoa).

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O pão tem uma casca grossa e miolo muito macio, apesar de não vir quentinho, casou super bem com a manteiga, que é muito saborosa. Deixo aqui uma dica de ouro: guarde um pouco desse pão.

De entrada pedimos uma empanada de carne (R$9,50).

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Como Paola diz, queimadinha por fora e suculenta por dentro. A massa é fininha e bem macia, incrível como conseguiu resistir ao calor e recheio. Com um sabor bem marcante e bem temperada, quase não se nota a presença das uvas passas. Desculpa, não deu tempo de bater uma foto do recheio.

Pouco analisamos o cardápio, pois já sabíamos desde Florianópolis o que pedir: prime rib.

Não demos sorte, já não tinha mais o corte naquela noite.

Escolhemos algo próximo: Ojo de bife brangus brasileiro, assado no forno a lenha, chimichurri e batata Robuchon (R$72). A “batata Robuchon” é, segundo muitos, o melhor purê de batata de mundo.

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O prato chega à mesa exalando um perfume sem igual. Um cheiro único. Nos leva diretamente à Argentina. Inexplicável.

O garçom, no momento da entrega, adiciona o molho da própria carne sobre ela, deixando-a ainda mais suculenta.

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O purê mencionado vai ao forno para criar uma casquinha. Seu sabor é suave. O recheio é leve e muito saboroso. O ponto da carne é um espetáculo a parte.

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A suculência, que ficara ainda mais completa com o preenchimento do molho, conferiu ainda mais maciez ao corte. O chimichurri estava em total harmonia.

Lembram do pão do couvert? Então, é nesse momento que você pega algumas fatias ou migalhas e passa em seu prato para aproveitar todo aquele molho da carne. Não há nada nesse mundo que pague essa sensação.

Paola, meu coração já é seu.

Por quase ser uma noite argentina, pedimos também um choripán (R$28).

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Num pão artesanal, que quase lembra um brioche pela cor, é recheado de linguiça artesanal assada no forno a lenha, cebolas tostadas, chimichurri e um molho um pouco adocicado do qual não pude identificar o sabor.

Assim como a empanada e o pão, meu senso-crítico-social-antropológico-primitivo fez com que, imediatamente, eu colocasse as mãos nesse choripán (sem guardanapos) para poder comê-lo. Imagine você esse deleite.

Estávamos em êxtase por todo o conjunto. E, claro, de buchinho cheio. Eis que o Eduardo nos apresenta o cardápio das sobremesas. É como se alguém estivesse caindo no golpe do bilhete premiado, você sabe que não deve, mas arrisca.

Mesmo que não seja um menu extenso, definir o pedido é muito difícil, dado as circunstâncias. Fomos, portanto, de Pot de creme de intenso chocolate amargo e iogurte caseiro (R$20).

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Acompanhados de uma espécie de cookie salgado, o creme é uma espécie de mousse de chocolate amargo com uma quenelle de iogurte natural. São sabores que vivem em total sintonia.

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De consistência firme, o creme é muito saboroso e intenso, assim como o iogurte. O “cookie“, o qual não lembro seu verdadeiro nome e sua composição, é bem crocante e, sozinho, pode ser um ótimo snack.

Sem a mínima vontade de sair de lá, pagamos a conta no valor total de R$217,00, já com bebidas e taxa de serviço, e com a certeza de um dia poder voltar para provar o famoso prime rib e, claro, poder conhecer a Rainha Chef Soberana da Minha Vida Gastronômica.

Agora poderei assistir aos novos episódios de MasterChef com meu avental de comentarista e admirador. Mas desta vez com conhecimento de causa.

Ps1: No dia da visita, a Chef estava na casa, porém, saiu antes de chegarmos;

Ps2: Desculpem caso as fotos não estejam 100%, a luz do ambiente era bem restrita;

Ps3: Como não amar a Paola?

 

Arturito

  • Endereço: Rua Artur de Azevedo, 542 – Pinheiros – São Paulo – SP
  • Telefone: (11) 3063-4951
  • Vallet: sim
  • Aceita cartões: sim

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3 Comentários

  • Responder
    Vanessa
    28 de julho de 2015 at 9:01 pm

    Amo ela!
    Amo programa!
    E certamente, também amaria os pratos descritos :))

  • Responder
    Samantha
    29 de julho de 2015 at 8:06 am

    <3

  • Responder
    Maria Fernanda Lacerda Pereira
    3 de agosto de 2015 at 2:36 pm

    Ótima ideia para um post! Muito útil para quem acompanha o Masterchef e estava curioso para saber mais sobre o restaurante da Paola.
    Um abraço,

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