Frutos do Mar/ Review

Bate Ponto: o superestimado de Santo Antônio

“Po, fulano, já veio aqui no buteco do Bigode bater o ponto?”, diz um mané para o outro. Essa é uma expressão muito usual em nossa região onde quer dizer que algo torna-se frequente. É como em seu trabalho, onde você precisa passar seu crachá ou colocar sua digital diariamente naquela maquininha para registrar sua existência ou presença.

Talvez seja esse o conceito do Restaurante Bate Ponto, de Santo Antônio de Lisboa. Quisera os donos que todos os seus clientes pudessem ir frequentemente em seu estabelecimento e registrar o momento. Isso pode existir, é claro, com qualquer pessoa. Mas dificilmente acontecerá comigo.

É difícil eu fazer um post criticando um restaurante, mas como nem tudo são flores e a vida de blogueiro não é fácil, todo o investimento precisa valer a pena. E como esse não foi nosso caso, ele precisa, ao menos, ser registrado. É uma questão de conhecimento para futuros clientes e até mesmo de debates sobre certos assuntos.

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Esta e a próxima foto foram os melhores momentos e registros de nossa saga. Muito eu li e ouvi sobre esse lugar, sempre tive receio de entrar, pois aparenta ser um lugar para poucos. Algo mais elitista.

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Digo isso pois, logo na entrada, o cardápio na porta já nos dá o real entendimento sobre esse pré-conceito elitista. São pratos com preços elevados e individuais. Julgaria normal perante aos demais restaurantes da Rota do Sol Poente.

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O cardápio vai desde a entrada com petiscos e bolinhos ao bacalhau e polvo, o menino hipster de Florianópolis.

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Isso, sem contar, algumas opções de carnes e menu kids. O Bate Ponto consegue agradar aos mais diversos paladares. É fato.

Começamos, então, pedindo um Coquiles da Camarão (R$14,90) e uma porção de Camarão a Milanesa Médio (R$49,90).

Demorou muito para vir. O atendimento é lento, sofrível.

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O Coquiles, aparentemente aceitável, vem numa concha grande, porém sem o principal: o recheio de camarão.

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Alguém, por favor, me ajuda a procurar o camarão desse trem? A safra esse ano não foi boa, né? Olha, me deu uma saudade enorme do coquiles do Recanto da Sereia.

Junto do coquiles, vieram os camarões.

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Vieram bem crocantes, talvez pelo excesso de farinha, quentes e sem sabor. Deve vir, aproximadamente, 200gr de camarão.

De prato principal eu pedi Camarão na Moranga (R$64,90).

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Acompanhado de um arroz simples, sem sabor e de batatas fritas noisette, a moranga veio recheada com camarões ao molho bechamel e gratinado com queijo parmesão.

Dessa vez eu vi camarão. Mas não estava bem cozido, parecia estar cru. E a farofa de dendê, a qual é mencionada no cardápio, foi esquecida ou está dentro da moranga. Não tive, ainda, uma resposta concreta acerca da existência dela.

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A Samantha, que não liga para frutos do mar, pediu um bife a parmegiana. Ok, vocês vão se perguntar e dizer que ali não é local para pedir carne. Mas está no cardápio. Vamos testar os extremos do lugar.

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O bife era macio, molho era bem marcante, o mesmo arroz sem graça do camarão e uma batata frita largada. Um prato onde a apresentação poderia ser melhor e ajudaria em nossas considerações.

Vamos voltar ao atendimento, onde deixaram a Samantha esperar por um bom tempo para receber os talheres corretos para cortar a carne.

Esse mesmo atendimento nos fez esperar por mais um longo tempo para receber a conta. Como não estávamos muito contentes, fomos até o caixa retirá-la e pagá-la.

Ao vermos os mais de R$200,00 estampados no cupom, pedimos para retirar uma água cobrada a mais e os 10% do serviço (ainda faremos um post sobre isso). Obviamente fomos questionados sobre a recusa. Explicamos, recebemos um pedido de desculpas , pagamos o valor final de R$186,00 e saímos de lá de bucho revirado e muito chateados.

Talvez a casa tenha pratos diferentes e melhores. Talvez o dia tenha sido ruim. Talvez isso, talvez aquilo. Não vamos tentar justificar. Os relatos desse blog são feitos de experiências e momentos, e os que tive ali não foram, nem de perto, algo que pudesse se aproximar com o que a casa cobra. Tem muito valor agregado que não condiz com a realidade, mesmo pela excelente vista para o mar. É um restaurante muitíssimo superestimado e pomposo, onde as pessoas acham que por ser caro já é o suficiente para se sentir bem. Por esse valor de conta 5 pessoas comeriam muito bem e seriam tratados com atendimento à altura num restaurante como o Recanto da Sereia, o qual já mencionei nos parágrafos anteriores. Apenas parem!

E se você for lá bater o ponto, boa sorte!

Restaurante Bate Ponto

  • Endereço:  Rodovia Gilson da Costa Xavier, 125, Santo Antônio de Lisboa, Florianópolis – SC.
  • Telefone: (48) 3235.2121
  • Estacionamento: sim
  • Aceita cartões: sim

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22 Comentários

  • Responder
    Gustavo
    22 de janeiro de 2015 at 7:50 am

    Estive la em janeiro de 2014 e tive a mesma impressão. O prato (incluindo sabor, tamanho..) não vale o valor. Abraços.

  • Responder
    Fernando Matté Fagundes
    22 de janeiro de 2015 at 8:33 am

    Como certeza não irei! Não gosto de restaurantes que compram furtunas por comida que se come em qualquer birosca!

  • Responder
    Déborah Almada
    22 de janeiro de 2015 at 8:35 am

    Becher, é isso aí. Superestimado é a palavra. Atendimento ruim e uma primeira impressão que não condiz com a realidade. Eu pedi um camarão em cama de creme de aipim que não valia o preço, por exemplo. Temos opções muito melhores, com a mesma vista linda. Uma pena, eu estava curiosa para conhecer e foi decepcionante.

  • Responder
    Karolina
    22 de janeiro de 2015 at 9:18 am

    O lugar que eu mais amor comer em Floripa é em Santo Antônio de Lisboa (Principalmente no Chão Batido, é o melhor). Quando fomos no Bate Ponto (a mais ou menos 2 anos) fomos muuuuuuuuuito mal atendidos (Também pedi que retirasse o 10%) e acreditem, encontramos um CABELO no nosso peixe, chamamos o garços, que chamou o gerente, que na mesma hora retirou o prato levou a cozinha RETIROU o cabelo e trouxe o mesmo prato, acreditam??? Ficamos indignados!!! Questionamos e ele disse que não poderia fazer nada pois já tínhamos cortado um pedaço (minúsculo) do peixe. Pagamos 300 e poucos reais (em 4 pessoas) e saímos de la “com fome”, indignados e com o “bucho revirado”. Recanto da Sereia nem se fala, atendimento do Fábio ( e de todos os outros garçons) é sensacional, a comida é ótima e farta que condiz com o preço!!!!

  • Responder
    Demian
    22 de janeiro de 2015 at 10:03 am

    Não foi o dia ruim não. Fui lá já há bastante tempo, coisa de um ou dois anos e comi o camarão na moranga. Tive a mesma impressão. Preço muito alto para comida bem meia boca e um atendimento sofrido. Une belle merde. De lá pra cá, vejo que nada mudou, mesmo.

  • Responder
    suzana dias maciel
    22 de janeiro de 2015 at 10:19 am

    Por isso o Bate Ponto está cada vez mais vazio… em santo Antônio recomendo o Pitangueiras. .. atendimento excelente, preço justo e muito gostoso!

  • Responder
    Guilherme Bossle
    22 de janeiro de 2015 at 11:26 am

    Everton, tua experiência condiz com a realidade frequente do restaurante, que aconselho apenas para quem deseja curtir o visual e beber com amigos, não comer. O mesmo digo do Pitangueiras, que apesar de ter outra proposta, também oferece comida de baixa qualidade. Ambos os restaurantes só tem valor na paisagem. Para quem deseja comer bem, vale à pena o Marisqueira Sintra ou o Rosso Restro.

  • Responder
    Marlon Barg
    22 de janeiro de 2015 at 11:45 am

    Isso é algo comum em Florianópolis. Além de preços inflacionados, inclusive com diferenças cobradas entre os praticados na baixa e alta temporada, é comum aqui na Ilha recebermos atendimento como se estivéssemos pedindo favores a um desconhecido. É fato. E é por estas e outras que eu acabo sempre retornando aos locais onde acho a troca sempre justa: ambiente, valor, sabor e atendimento. Provavelmente seja por este motivo que tantas empresas abrem e fecham suas portas em intervalos de um ano, ou menos. Eu costumo dar um selo próprio para estes locais: “Selo Falcatrua”. Há vários estabelecimentos com este selo em minha memória.

  • Responder
    Pombo
    22 de janeiro de 2015 at 12:03 pm

    Por R$ 13,90 tu come um bife a parmegiana ali no Art Villa (Giassi – Areias) que além de mais bonito que esse aí, ainda vem com salada que tem até palmito. Só não vai ter o visual do mar, mas dá para ficar contando quantos fuscas entram ou disputando se entra mais celta ou mais palio no estacionamento.

  • Responder
    Ana
    22 de janeiro de 2015 at 12:19 pm

    O Pitangueiras é outro patamar. No mesmo preço, recomendo o Rosso. Comida excelente, atendimento bom. Dono sempre presente, faz toda a diferença.

  • Responder
    roberto
    22 de janeiro de 2015 at 12:40 pm

    Everton, com relação a qualidade do que provastes, não posso discutir….. já com relação a preços…….

    Como também proprietário de restaurantes, sei das dificuldades e dos custos envolvidos neste tipo de operação, e sei o quanto é difícil fazer esta relação de oferecimento x preços, seja justa e atrativa tanto para clientes, quanto para proprietários….. sobre tudo em Santo Antônio, onde os aluguéis são astronômicos…..e a infra estrutura é inexistente (locais de estacionamento, esgoto, etc….), isso sem falar de mão de obra, energia, água, impostos, manutenção, etc….etc….etc…

    Estive no Recanto da Sereia a poucos dias, e não me parece que os preços praticados por lá sejam muito diferentes dos praticados aqui…… mesmo que vários custos por lá sejam bemmmmm menores (mão de obra e sobre tudo insumos, pela proximidade com dois portos pesqueiros (Itajaí e Portobello)).

    De toda forma fico feliz que possas avaliar a qualidade das comidas oferecidas pelos restaurantes de nosso estado!! Isto ajuda aos clientes e também aos donos de restaurantes a melhorarem seus produtos e serviços.

    De certa forma, imagino que você seja como eu, que não me incomodo de pagar…… desde que claro seja bem atendido e coma bem!!

    Que tuas andanças continuem!! Bom trabalho!!

  • Responder
    Kamila
    22 de janeiro de 2015 at 2:13 pm

    Everton,
    A última vez que fui ao Bate Ponto, tive o desprazer de comer um berbigão ensopado que custou creio que 129,00. O desprazer não é pelo berbigão, que eu adoro, mas logicamente pelo valor e pelo pouco capricho no preparo e no serviço. A hora que o prato chegou, lembro que todos ficaram constrangidos na mesa. Com vergonha mesmo.
    Tens toda a razão na tua resenha e fico na esperança de que seja disseminada e lida, para que outros venham a saber o que encontrarão pelo que vão pagar.
    Deu saudades do Pôr do Sol Açoriano, onde comia-se muito bem e com uma vista maravilhosa.

  • Responder
    PAOLA
    22 de janeiro de 2015 at 5:28 pm

    Faça uma visita ao Porto do Contrato! Estive lá com parentes de São Paulo e MORRI de vergonha…comida sem gosto nenhum e preço astronômico!!! Fiquei bem sem graça, justamente por serem de fora e querer mostrar um pedaço daqui! Já foi lá? Eu havia ido há tempos e gostado…mas ultimamente, caiu MTO!

  • Responder
    Marcela
    22 de janeiro de 2015 at 6:55 pm

    Infelizmente é a realidade de uma grande parte dos restaurantes de Florianópolis… a questão é que aqui as pessoas gostam de pagar caro, é uma forma de obter status. Por isso, cada vez mais os restaurantes servem qualquer coisa, de qualquer jeito e a maioria acha maravilhoso. A aparência vale mais do que a essência!!!!

  • Responder
    Mário
    22 de janeiro de 2015 at 7:10 pm

    Meu caro, infelizmente os donos de restaurante da orla de Florianópolis tem ano após ano enganado seus clientes…Raras, muito raras (quase não lembro) as oportunidades que tive de comer bem frutos do mar aqui na nossa ilha. Tenho vergonha quando leio relatos como o seu. Essa cultura de enganar o turista vem de muito tempo. Camarões que com certeza são de cativeiro, alimentados com ração e congelados por muito tempo… Que tristeza!! Tanta gente boa querendo e gostando de cozinhar e atender bem não tem chances…

  • Responder
    Denis Budag
    23 de janeiro de 2015 at 12:14 am

    Fui bem início desse ano lá, pois era o único que tinha comida ainda. O Chão Batido tinha fechado mais cedo. A comida estava boa. Pelo menos o meu prato. Os demais estavam bonitos, mas achei lento e o atendimento apenas normal (isso porque o restaurante estava vazio).
    Não posso reclamar. Só não vou mais porque achei sem noção o preço. Fui apenas por estar sem opção próxima pra ir.
    Não recomendo.

  • Responder
    Diogo Lima
    23 de janeiro de 2015 at 7:43 am

    Não conheço o restaurante, mas é bom saber que existem pessoas críticas avaliando e publicando textos desta forma.

    O brasileiro tem mania de achar que está tudo ótimo, tanto é que até professores tem medo de dar nota baixa.

    É isto aí.. vamos valorizar serviços de qualidade.

  • Responder
    Maria
    23 de janeiro de 2015 at 4:02 pm

    Concordo plenamente! Restaurante péssimo, preço absurdo para a qualidade da comida que servem e o atendimento prestado. Garçons despreparados e mal educados. Há muitos anos, quando o estabelecimento era simples e ainda não havia sido reformado, a comida era boa.

  • Responder
    Gabriela Panitz
    23 de janeiro de 2015 at 11:48 pm

    Daniel, ainda bem que existem críticos gastronômicos que nem tu, expondo as realidades dos lugares, sem “medo” de expor as reais opiniões.
    A única vez que fui ao bate-ponto, foi suficiente para nunca mais querer voltar lá.
    Preço, atendimento e tempo, igual a zero.

    E nem tem mais como colocar desculpas nos preços por causa de estacionamento, esgoto, mão de obra!?
    Ahn!?
    A grande maioria dos restaurantes de Santo Antônio tem acordo com os pescadores e cultivadores de ostras, camarões e frutos do mar em geral. Eles pagam mais barato que no mercado público, compram em quantidade e estocam. As ostras mesmo, pegam ali do ladinho, a 6 pila a dúzia. A mão de obra?! É a mesma paga em qualquer lugar de Floripa, ainda que seja beeeeem mal remunerada (as vezes não discordo do mal pagamento, já que atualmente é muito difícil achar algum profissional ou pseudo profissional Com um MÍNIMO de qualificação ou vontade de trabalhar, pois hoje em dia as pessoas querem ganhar dinheiro SEM trabalhar)…
    Energia, água, esgoto… Same price na ilha toda. E tudo é relativo. O tamanho, a clientela, o faturamento (que não é baixo pelos preços exorbitantes cobrados)
    E existem infinitos restaurantes em Floripa muito melhores e com preços justos do que o Bate Ponto.
    Ex: Ilha Formosa nas Rendeiras, Marisqueira Sintra, Rosso, porto do contrato, chão batido, etc.

    E em relação ao Recanto da Sereia, o preço pode ate estar no mesmo patamar que o Bate Ponto, porém, a qualidade de serviços e produtos, ganha de 1.000.000.000

    Um abraço querido.

  • Responder
    Evaldo
    23 de janeiro de 2015 at 11:58 pm

    Recomendo o Restaurante Sambaqui,boa comida,preço justo,qualidade no preparo da comida.

  • Responder
    Sâmia Kizzy
    24 de janeiro de 2015 at 1:41 pm

    Estive lá com meu marido e já de cara um dos talheres da mesa estava sujo. Avisamos o garçon e ele trocou com o da mesa de trás! Primeira bandeira vermelha. Quando pedimos as bebidas, um copo veio com uma marca de batom! Segunda bandeira vermelha. Então resolvemos olhas as dicas do Foursquare e dentre várias criticando o lugar, uma delas dizia assim: “Se você ainda não fez o pedido, fuja!”. Fugimos!

  • Responder
    Priscila
    9 de fevereiro de 2015 at 4:10 pm

    Eu não frequento o Bate Ponto há anos, desde que aumentaram enormemente os preços, e foi uma decepção total. Quando você cobra caro, como cobram lá, você precisa servir pratos impecáveis, você precisa realmente estar à altura do preço que cobra; e não é o caso.

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