Árabe/ Bares/ Review

Kibelândia: casarão velho é que faz comida boa

Na semana em que Alex Atala lidera um movimento pelo definitivo reconhecimento da gastronomia como parte da cultura do país, ainda sofremos com as modificações que boa parte do centro de Florianópolis vem tendo nesta área. Uma rápida caminhada pelo Mercado Público e não vemos mais o Bar do Plácido, o Zezinho, o Goiano, até o Pirão foi-se. Nos seus lugares ficaram grandes redes que venderão fast-food ou coisa parecida. Caldo de cana com pastel de camarão? Nunca mais, nunca mais…

kibelandia-entrada

Mas ainda existem alguns troncos da nossa cultura que ao longo do tempo vêm resistindo à evolução e fazendo continuam não só fazendo comida boa como servindo de ponto de encontro e até turismo da nossa cidade. No baixo-Centro desde a década de 60 a Kibelândia serve seus chopes, cachaças artesanais e, claro, comida árabe. Cabe até um pastelzinho, um xis salada se for o gosto do freguês.

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Olha o recheio!

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Estive lá ontem pra provar os seus quitutes. Comecei pelo começo e como todo bom manezinho não queria “comer de barriga vazia”. Dois kibes fritos, bem fritos e bem rechados, com a mais pura carne bovina e sem firulas. Bem temperado, claro, comida árabe pede um bom tempero. Sequinho sem “embuchar”, saboroso e bem servido. Uma verdadeira preciosidade que custa módicos 7 reais em plena capital mais cara do Brasil pra se comer.

kibelandia-prato-arabe

Depois veio a Refeição Árabe: kibe cru e kibe assado, Baba Ganoush (pasta de beringela), Homus (pasta de grão-de-bico), pasta de queijo e tabule. Este prato tem duas versões: a completa, que serve duas pessoas e que custa 55 reais e o de 35 pilas que é individual, mas parece que serviria um batalhão de tão bem servido (considerando que comi kibes e mais ainda estava por vir).

Não poderia faltar, é claro, o pão-sírio pra acompanhar estas iguarias.

Junto com este prato ainda veio uma salada de alface, tomate, hortelã e cebola, mais limão à vontade pra temperar tudo.

Os kibes todos estavam igualmente saborosos, mas fiquei bastante impressionado com o kibe assado. Dificilmente você acha um kibe assado assim, suculento e no ponto ideal pra apreciar o sabor. Nada daqueles kibes esturricados e secos, pelo contrário, uma maravilha que dispensava até o bom e velho azeite de oliva servido na mesa.

Estacionar no Centro não é das coisas mais fáceis desta vida e havia escutado boas e românticas histórias sobre a Coxinha da Kibelândia. Tive que aproveitar a viagem e pedir uma junto com o pedido, mesmo a atenciosa garçonete tendo me avisado de que era comida demais. – “Deixa que venha!”

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E ela veio.

Coxinha frita na hora, bem crocante, com a massa bastante macia e o recheio suculento. Frango de verdade. Não era frango cenográfico com caldo, não era frango triturado, não era fiapo de galinha. Era FRANGO, de verdade, o bom e velho frango desfiado como está lá nos alfarrábios dos anjos que certamente inventaram esta desapropriada iguaria tupiniquim.

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Olho no lance porque eu cortei ela no meio pra você entender. FRANGO!

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E se um bar fazer a sua própria coxinha — apesar de obrigação — hoje em dia ser motivo de grande respeito, o que dizer de estabelecimentos que fazem a sua própria maionese?

Ela tinha acabado quando pedimos mas prontamente a cozinha iniciou nova produção do molho e prontamente chegou à mesa com seu sabor inconfundível, originalmente da casa, com um toque de mostarda e levemente salgada como deve ser. Deus do céu, eu já havia até esquecido da comida árabe e estava pronto pra sair com uma coxinha de véu e grinalda porta afora em direção à Catedral.

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A brincadeira fechou em R$70 e serviu bem duas pessoas que provavelmente sonharam na noite seguinte com esta belíssima experiência gastronômica.

Chopperia Kibelândia

  • Rua Victor Meirelles, 98. Centro, Florianópolis.
  • (48) 3879-5429
  • Aceita cartões.

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8 Comentários

  • Responder
    Fernando Matté Fagundes
    10 de dezembro de 2014 at 8:48 am

    Bahhhh fiquei babando! Deu vontade de ir..

  • Responder
    Eliézer Luiza da Silveira Inácio
    10 de dezembro de 2014 at 6:48 pm

    Como adoro cozinhar e, dizem que tenho um bom tempero…adoro suas sugestões. Você tem um gosto acurado…de vez em quando eu e meu esposo vamos em busca de um lugar diferente. Continue com seu excelente trabalho!!! Parabéns e obrigada.

  • Responder
    Carlota
    7 de janeiro de 2015 at 10:17 am

    é isso aí… a melhor coxinha da cidade é a da Quibelandia mesmo…. adorooo

  • Responder
    Carlota
    7 de janeiro de 2015 at 10:17 am

    Agora, por favor ache uma almôndega igual a do Zezinho… e poste aqui… pleaseee

    • Responder
      Daniel Becher
      7 de janeiro de 2015 at 10:19 am

      Existem três lugares onde comi excelentes almôndegas: no Zezinho, no falecido bar na subida da Jerônimo Coelho que hoje é uma barbearia (me falha o nome agora) e naquele bar no subsolo do ponto de taxi da Francisco Tolentino. Aliás, essa região do mercado foi uma excelente produtora de salgadinhos deliciosos uma, duas décadas atrás. Hoje tá tudo pasteurizado desses terceirizados, infelizmente, até pelo preço que o lugar exige.

    • Responder
      Leonardo
      23 de janeiro de 2015 at 7:50 pm

      Almôndega? Coma a do Books and Beers (lagoa) depois venha me dizer… quase lambi o prato =D

  • Responder
    Gabriela
    11 de fevereiro de 2015 at 9:36 am

    Daniel, tudo bem?
    Uma das melhores matérias que lemos sobre nosso restaurante!
    Parabéns!
    Seja sempre bem vindo!
    E estamos felizes que tenha gostado!

    Abraço,
    Gabriela Soares

  • Responder
    José Airton
    17 de julho de 2017 at 4:32 pm

    A Kibelândia é um lugar tradicional, muito bom em quase tudo, pois o banheiro é um lixo.
    Parei de ir lá por isso. Deviam quebrar uma parede e fazer algo melhor.

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