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Onde comer – ou não – em Gramado

Gramado é uma cidade que explora seus turistas. Por mais que nossa visita tenha se dado no inverno, um dos principais períodos para a cidade, nossa experiência, no geral, não foi boa. Mas precisamos tirar lição e proveito de tudo na vida, por isso ela acaba nos servindo de aprendizado.

Se você está com sua viagem planejada para Gramado, desculpe te desapontar, mas o que relatarei a seguir serão experiências pessoais não muito boas. Por óbvio, seu passeio poderá ser infinitamente melhor que o meu, por isso tentarei sintetizar somente as partes gastronômicas.

Chegamos em Gramado (a cidade que, aparentemente, só tem duas ruas principais) logo no início da tarde. Chovia muito, deixando a principal avenida do município completamente congestionada. Nossa primeira parada, após deixar nossos pertences no hotel, foi a Cantina Pastasciutta.

Cantina Pastasciutta

Um dos clássicos da cidade, quase que parada obrigatória (primeiro erro de turista). Como falei, a avenida onde o restaurante está localizado, devido a chuva, estava tomada de carros: uns trancando a rua para acessar o estacionamento do estabelecimento, outros esperando vaga no acostamento. Um caos. Mas isso não é culpa do restaurante. Eles só são culpados pelo sistema de espera e distribuição de senhas, resultado: pessoas enfurecidas. Mas conseguimos rápido uma mesa (casais são mais rápidos, famílias tendem a demorar mais).

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Enquanto seu prato não fica pronto, é possível aproveitar os itens da mesa de frios (variados tipos de queijos, embutidos e conservas). Paga-se por peso.

Pedimos um prato para duas pessoas: fettuccine ao sugo com polpetones.

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Massa fresca, porém banhada no molho com muita pimenta biquinho. E o detalhe: três polpetas para duas pessoas. Podemos batizar esse prato de “faltei a aula de proporções”. Seja no molho, na pimenta ou nos bolinhos, tudo estava equivocado, apesar de, separadamente, serem bons.

Pedimos tiramissù de sobremesa.

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Estava bom. A ideia de deixar os grãos de café torrados para comer junto foi interessante (não sei se era o propósito ou apenas enfeite).

Esperava mais do local.

Nonno Mio

No jantar, fomos forrar o buchinho e aquecer o corpo com massas e galeto no Nonno Mio, um lugar confortável e de atendimento receptivo (o local estava relativamente vazio).

Fui de galeto e logo de entrada recebi sopa de capeletti. Em boa quantidade, saborosa e guarnecida com pão e queijo. Poderia – e gostaria de – repetir, mas havia mais pratos pela frente.

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Samantha foi num bife à parmegiana. Simples e com um molho delicioso (é um prato kids).

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Recebi a massa à bolonhesa, polenta brustolada, radicci com bacon, salada de batatas (maionese) e o galeto.

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Todos os itens estavam muito bons, com menção honrosa à maionese e ao galeto (muito bem temperado e macio).

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De sobremesa pedi sagu: mais decepcionante que o filme Batman vs Superman.

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Tirando a frustração com o sagu, quase voltei rolando para o hotel. Vale a pena conhecer.

Malbec

Um fato: 95,13% dos restaurantes de Gramado oferecem fondue, esse negócio sem sentido elevado à gastronomia. Provavelmente disseminado para dar vazão aos horríveis chocolates vendidos na cidade. O Malbec é um desses, mas ele é especializado em carnes e em parrilla (percebe, Ivair, a falta de foco dos lugares?).

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Ao chegar, o garçom nos questionou se nossa preferência seria por fondue ou a la carte, pois existem áreas distintas para, caso opte pela parrilla, não sair fendendo à chapa ou fumaça gerada pelo prato queridinho dos turistas.

As parrillas para duas pessoas são caras (acima de R$120) e são guarnecidas por legumes, batatas e arroz. Pedimos entrecot parrillero (com pimentão, cebola e coberto de provolone) ao ponto.

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Arroz requentado e legumes dispostos e feitos de qualquer maneira.

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Diferentemente do solicitado, chegou bem passado. Sem graça. Quase uma heresia à arte parrillera (ainda mais pelo prato levar esse nome).

Sequer cogitamos pedir sobremesa.

Il Piacere

Cansados de tentar encontrar um lugar legal e acessível (maioria dos lugares estavam cheios e já havíamos gastado muito com a frustração recente), paramos próximo aos citados anteriormente para comer pizza. “Ah, mas vocês foram pra Gramado comer pizza?”, sim tentamos provar um pouco de cada culinária que a cidade tem a oferecer e, além disso, pizza foi uma alternativa de imediato aos preços praticados.

O Il Piacere estava bem movimentado, pois são especializados em diversas coisas, inclusive fondue, lógico.

Ao pedir a pizza, logo nos veio polenta frita como cortesia.

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Sequinha, crocante e boa.

Pedimos pizza nos sabores Carcamano (presunto de Parma e alho poró) e Marguerita Gourmet (mussarela de búfala e tomate cereja).

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Nada de extraordinário, mas também não era ruim. Era ok.

Aparentemente, do forno à lenha saia itens mais interessantes. Talvez valha a pena conhecer por esses outros itens. No cardápio, a parrilla é mais barata que no Malbec.

Aqui tivemos a alimentação – em restaurante – mais em conta da viagem.

Garfo e Bombacha

Por apreciar a cultura gaúcha, quando vou ao Rio Grande do Sul, sempre me impressiona o fato de não encontrar elementos/indumentária no cotidiano das pessoas. Mas a Churrascaria Garfo e Bombacha leva aos seus clientes um pouco desse resgate e cultivo às tradições.

Logo na entrada, costelas de fogo de chão.

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Estavam sendo preparadas para o jantar, pois é nesse horário que acontecem as apresentações musicais e artísticas no palco da churrascaria. Tive curiosidade para conhecer, mas pagar R$150 (por pessoa) pelo show e alimentação está fora de qualquer realidade.

No almoço, apenas música ambiente. Seja nativista, tradicionalista ou regionalista, o som da gaita se faz sempre presente.

Logo de início, nos oferecem capeletti.

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Boa massa, bom caldo e recheio. É servido à vontade e guarnecido com pães e queijo.

No buffet, vamos da tradicional maionese (salada de batatas) ao matambre recheado.

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Na churrasqueira, diversos tipos de cortes. Em meu prato figurou apenas o carreteiro de charque, cupim, linguiça campeira, coração, costela e maionese. Todos muito bem preparados.

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A mesa de sobremesas também é de alegrar qualquer coração frustrado. Sem dúvidas, fui no sagu, que estava bom.

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O tradicionalismo no salvou nessa manhã (fomos logo depois de conhecer o tão sem graça parque caracol). Também pudera, com essa comida simples e gostosa, um ambiente acolhedor e ser recebido ao som de “Chasque pra Dom Munhoz”, o que mais eu poderia esperar?

Per Voi

Já antecipo: o Per Voi é um abraço na alma.

Local pequeno, reservado e aconchegante. O cardápio não é muito extenso: sequência de galeto e opções de massas.

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Um fato curioso: mesmo que todas as louças sejam da Le Creuset, as massas individuais custam apenas R$39.

Fui no spaghetti à bolonhesa.

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Simples como toda massa deve ser, delicioso como todo restaurante deveria fazer.

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De sobremesa pedimos tiramissù.

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Bem feito, equilibrado e sem exageros (exceto pelo morango). Muito bom!

Vale muito a pena a visita!

Bela Vista Café Colonial

Última parada em Gramado. Dispensável, diga-se de passagem. Além de caro (R$80,00 por pessoa), o sistema de atendimento deles não é legal: forram sua mesa com uma porrada de comida que, na maioria das vezes, você nem vai tocar. Ou seja, um tremendo desperdício.

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É muita comida, mesmo! E totalmente desnecessário.

Há ainda a estufa com bolos, tortas e sobremesas (que nesse caso é você quem se serve, o que é mais aceitável). Devo dizer que o sagu era ruim.

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Não vale a pena (pelo custo, comida e sistema em si).

Considerações

  • Os chocolates de Gramado são ruins. Isso é fato;
  • As visitas às fábricas de chocolate são desnecessárias, pouco mostram;
  • É um turismo caro;
  • Os sagus de lá são decepcionantes;
  • Quem foi que disse que passear num pedalinho é romântico?;
  • É inadmissível o valor de uma água mineral não caber nos dedos de uma mão;
  • Tirando Natal, a cidade pouco proporciona experiência a céu aberto e gratuita.

Eu queria listar mais coisas, mas vou parecer chato. E esse é o problema, pois não posso parecer ser mais que a cidade.

 

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5 Comentários

  • Responder
    Paula
    9 de dezembro de 2016 at 11:23 am

    Não vais parecer, você é chato.
    Você com toda a certeza não soube apreciar a cidade, se precisa de algo além de belas paisagens para suprir seu tédio sinto muito, pois só o ar da cidade, os lagos, as vistas, o clima.
    Você realmente é muito chato, o modo de servir dos cafés coloniais de Gramado são tradicionais, o atendimento e o preço valem a pena, tanto que até em hotel eles buscam e levam de volta.
    Fora os chocolates, Gramado é conhecido pelo chocolate, ou você comeu os mais baratos e sem marca, ou você não tem mais o que fazer.
    Péssimas críticas, você além de insuportavelmente chato é também sem dúvida alguma mal educado.
    Espero que nenhuma outra cidade precise passar por tamanho desrespeito e desgosto de receber sua presença e absurda “crítica”.

    • Responder
      Everton Veber
      9 de dezembro de 2016 at 11:49 am

      Ok, anotado.

      Beijos no seu coração.

    • Responder
      oliveira
      15 de dezembro de 2016 at 4:36 pm

      nossa, que amargura hein.
      Cada um tem sua opinião. Se ele não gostou, deve ter motivos como ele listou.
      e sim, o chocolate de gramado é muito ruim. Não sei se é excesso de gordura hidrogenada, de açúcar, de matéria prima ruim, ou tudo isso junto. Mas de fato, os chocolates são ruins. mesmo Lugano, caracol (pior chocolate quente que já tomei na vida, tenho trauma só de lembrar).
      Os restaurantes são muito caros e repetitivos. Gosto de fondue, mas não para todos os dias no jantar.
      Quanto ao pedalinho, eu gosto. As paisagens, tem algumas bonitas. O clima, se for no inverno, é bom, diferente do que normalmente temos, mesmo nos outros estados do sul

  • Responder
    Odete da Silva
    9 de dezembro de 2016 at 8:28 pm

    Tua postagem faz total sentido.
    Gramado é uma cidade-cenário, sem nenhum encantamento natural. É tudo muito caro e forçado.
    Os chocolates, independente das marcas, são horríveis, puro açúcar e parafina.
    Não há chance de tu ser mais chato que a cidade. fato.

  • Responder
    Guido Simm Júnior
    28 de dezembro de 2016 at 3:12 pm

    Meus parabéns pela postagem honesta.

    Tive impressões similares quando conheci Gramado. Quase tive uma dissonância cognitiva, posto que você é “obrigado” a elogiar a cidade.

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