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Tempero Nordestino: comida e cultura regional com as bênçãos do Padre Cícero

Meu verso é como a semente
Que nasce arriba do chão
Não tenho estudo e nem arte
A minha rima faz parte
Das obras da criação

Patativa do Assaré

Patativa do Assaré

Patativa do Assaré

Antônio Gonçalves da Silva, ou Patativa do Assaré, porque a beleza do seu verso foi comparada ao canto de uma ave homônima, foi poeta, cantor e trovador nordestino. É sem dúvida alguma um dos maiores ícones da cultura popular brasileira e foi um dos principais compositores de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, mesmo sendo semi-analfabeto de pai e mãe. Juntos possuem um patrimônio histórico e cultural gigante, legado que o nosso país jamais deve esquecer.

Tempero Nordestino

Tempero Nordestino

Juntos também eles se apresentam nas estátuas que estão na frente de um restaurante simples e muito interessante que conheci recentemente aqui em Florianópolis. O Tempero Nordestino preserva não só a culinária típica do Nordeste, como mantém literatura e música daquela região. Em cada canto do lugar você tem um artesanato, um quadro, discos, cordéis e fotos das andanças do proprietário, claro, nordestino. É possível também achar referências, tanto em pratos como em decoração, da região Norte.

Padre Cícero abençoa quem entra

Padre Cícero abençoa quem entra

Além de estátuas de Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, Lampião e Maria Bonita, já na parte interna do restaurante você ganha uma benção do Padre Cícero, ou como preferem alguns, Padim Ciço. E enquanto no som ambiente um zabumba, triângulo e uma sanfona tocavam pra lascá, tinha a difícil tarefa de escolher uma das delícias pra comer.

Queria muito experimentar a carne de sol, mas também queria saber qual era a do Baião de Dois, que nunca havia comido. Então escolhi um prato chamado “Carne de Sol Completa”, o primeiro ítem do cardápio. Consiste num prato individual — com opção pra 2 ou 3 pessoas — que vem um bife de carne de sol assado na brasa, queijo coalho assado, baião de dois, macaxeira frita e paçoca de carne de sol.

Carne de sol, queijo coalho e baião de dois

Carne de sol, queijo coalho e baião de dois

Detalhe que não só o baião de dois é feito com manteiga de garrafa, mas a mandioca frita também é batizada nesta iguaria. Se você nunca teve a oportunidade de experimentar manteiga de garrafa eu lamento dizer mas… você não é feliz. Não mesmo. Essa manteiga é a felicidade engarrafada, é o amor condensado, amarelado e saboroso.

Macaxeira frita e paçoca de carne de sol

Macaxeira frita e paçoca de carne de sol

O prato que pedi é bem servido, a exemplo de outros que vi pedirem. Eu, que entrei faminto, tive que amargar a tristeza de ver sobras (gordo odeia ver sobras). Ele custou módicos R$29,90. Módicos porque pela qualidade da comida e a quantidade servida, saiu quase de graça.

Outros pratos típicos também compoem o cardápio como acarajé, tapioca, vatapá, buchada de bode, cabrito, escondidinho e até um a moqueca de tambaqui que me deixou bastante curioso.

Restaurante muito aconchegante

Restaurante muito aconchegante

O local é muito aconchegante. Além de toda a decoração que é praticamente uma viagem no tempo e na cultura nortista, som ambiente na medida certa, luz convidativa e mesas bem aconchegantes.

Eles não tem wifi, mas o atendimento é nota 10. Cortesia e eficiência na hora de anotar e entregar os pedidos, responder dúvidas, conversar sobre o próprio restaurante e manejo dos alimentos. Nota-se que apesar da informalidade de um empreendimento familiar, seriedade com o bom funcionamento não falta.

Pretendo voltar mais vezes, ainda mais que sou quase vizinho do Tempero Nordestino, e recomendo fortemente a visita. Principalmente se você ainda não conhece o sabor da comida nordestina.

PS: pra não dizer que não tive um problema, eu tive. Chegando no restaurante uma placa quase visível falando que a máquina de cartões estava quebrada. Por sorte tinha dinheiro na hora, senão teria lavado os pratos. Voltarei lá em breve pra ver se solucionaram e eu posto aqui o resultado 😉

Tempero Nordestino

  • Endereço: Rua Joe Collaço, 38. Santa Mônica, Florianópolis.
  • Telefone: (48) 3233-4438
  • Aceita cartões: sim
  • Estacionamento: não
  • Wifi: não
  • Site: não

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5 Comentários

  • Responder
    carlos raposo
    29 de agosto de 2012 at 5:09 pm

    Daniel, como cliente antigo da casa (mais de seis anos)concordo com você, o restaurante e muito bom com preços acessíveis fora que o proprietário seu Ramires o folclore em pessoa
    Estou agora como novo gerente operacional do restaurante, mostrei seus comentário ao seu Ramires ,o proprietário, e ele ficou emocionado .
    estamos fazendo uma revitalização no local e reabriremos nesta sexta-feira a partir das 18:00.
    Contamos com sua presença novamente no nosso restaurante ,o seu Ramires com certeza ficará eufórico com sua presença

    • Responder
      Daniel Becher
      29 de agosto de 2012 at 5:22 pm

      Oi Carlos! Fico contente em saber que gostaram do post. Também gostei bastante do restaurante, parabéns! Vou tentar ir nesta sexta-feira pra ver como ficou 🙂

      Abraço!

  • Responder
    Eduardo Coelho
    22 de fevereiro de 2013 at 5:47 pm

    Já fui 2 vezes no local e o encontrei fechado, sabem me dizer se realmente fechou ou se mudaram para outro local? Obrigado.

    • Responder
      Daniel Becher
      24 de fevereiro de 2013 at 11:06 am

      Que estranho, eles estavam em reformas já fazia algum tempo. Até entraram em contato convidando pra reabertura, acabei não podendo ir. Vou tentar averiguar isso 🙂

  • Responder
    Fernando da Luz Schmidt
    30 de janeiro de 2014 at 6:53 pm

    O restaurante mudou de endereço e nome. Agora chama-se “Lisbela e o Cozinheiro” e encontra-se no Ribeirão da Ilha. Mas a decoração é a mesma!

    https://www.facebook.com/LisbelaeoCozinheiro?fref=ts

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