Brasileira/ Nordestina/ Review

Sabor nordestino para os amantes dos prazeres da mesa e do amor

Desde a primeira vez que vim a Ribeirão Preto o nome de um estabelecimento me chamou bastante a atenção: Bar do Epicurista. Epicurista é aquele que segue ou se identifica com o pensamento de Epicuro, filósofo grego que viveu de 341 a 270 AC; na definição da própria casa “é a pessoa que é dada aos prazeres da mesa e do amor”. Bem, pra quem não sabe, este sou eu!

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Além da personalidade que o nome dá ao lugar, o fato de ele ser especializado em comida nordestina também me chamou muito a atenção, me deixando com vontade de conhecer.

Apesar de tudo, foram necessários quase cinco anos para que eu criasse vergonha na cara e fosse lá experimentar as iguarias do seu cardápio. Ainda bem que fui.

Para simplificar, começo falando do único ponto negativo do Bar do Epicurista, em minha opinião: os guardanapos além de serem de papel eram em quantidade insuficiente, até por causa do prato que meu amigo e eu pedimos (costela, que uma pessoa normal não consegue comer sem engraxar os dedos). Pelo nível geral da casa, talvez guardanapos de tecido fossem um certo exagero, mas a quantidade reduzida de guardanapos de papel é um mistério.

Entretanto, os pontos positivos são muitos e muito mais importantes que a dificuldade com guardanapos, até porque nós pedimos guardanapos adicionais e fomos prontamente atendidos.

Para começar, a localização e as instalações: o restaurante é amplo, bem arejado, com muitas janelas. Dependendo da posição de sua mesa, o cliente pode fazer sua refeição apreciando a beleza da mata do “Parque Curupira” (o nome oficial do parque é outro, mas quem liga?). As cadeiras são amplas e confortáveis, o que é uma bênção para as bundas de gordos. As mesas são altas, evitando que a pessoa precise se curvar sobre o prato para comer.

Um ponto que merece uma sobrancelha erguida diz respeito à (ausência de) climatização na casa. Há ventiladores e umidificadores de ambiente por todo lado, mas não há condicionadores de ar. Compreensível, afinal a quantidade de janelas e aberturas tornam impossível uma climatização adequada. Imagino que no verão rigoroso do centro do Brasil o calor seja intenso.

Ao chegar no restaurante já fiquei feliz porque há muitas vagas de estacionamento. Uma preocupação a menos, e o almoço já tenderia a ser mais saboroso. O atendimento na casa confirmou a boa impressão: os trabalhadores da casa se caracterizam com um uniforme inspirado nas vestes tradicionais dos sertanejos nordestinos, com seus chapéus característicos e cartucheiras na cintura. Mas é só nas vestimentas que eles lembram “jagunços”: a cortesia, a amabilidade, o evidente interesse pelos clientes fizeram com que nos sentíssemos acolhidos imediatamente. Talvez seja por eu ainda estar deveras acostumado ao péssimo atendimento característico dos estabelecimentos do Rio de Janeiro, mas vale o registro da cordialidade do local.

A moça que nos atendeu, a Jéssica, foi de particular paciência para explicar o funcionamento da casa, descrever cada prato do cardápio e dar sugestões baseadas no que nós dizíamos a ela. Acabamos optando por costelinha suína acompanhada de baião de dois e salada de alface e tomate. Para beber pedimos H2OH — e só tinha de limão, o que infelizmente é comum acontecer por aí.

Quando a Jéssica falou que os pratos eram bem servidos não levei muito em consideração. Porém, quando chegou a salada cheguei a pensar que ela estava falando sério: a salada pequena veio com muita alface, folhas de excelente qualidade, sem queimados que são tão comuns tanto no supermercado quanto em restaurantes outros que frequento.

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Eu só gostaria que caprichassem um pouquinho mais na cebola: as duas rodelas que vieram seriam suficientes apenas para mim, mas tive de acabar dividindo com outra pessoa!

Rapidamente o prato principal chegou também, e aí eu vi que a Jéssica tinha metade da razão, mas a outra metade era minha: as costelinhas são muito bem servidas, mas o baião de dois veio numa porção que aos meus olhos de gordo esfomeado era insuficiente para dois. Mas as aparências enganam, e no final das contas comemos muito bem.

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Creio que ninguém realmente possa ter expectativas de encontrar no interior de São Paulo um restaurante nordestino que execute as receitas exatamente como elas são no Nordeste. O paladar dos paulistas, imagino, não comportaria muito bem iguarias como buchada de bode, ou pratos carregados na farinha. O Bar do Epicurista, portanto, adaptou as receitas para o paladar local. O baião de dois, por exemplo, é composto de arroz, feijão, creme de leite e queijo coalho derretido, com um torresminho para decorar — e é claro que eu sou do tipo de gente que come a decoração dos pratos, principalmente em se tratando de torresmo.

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Por fim, depois do delicioso almoço pedimos duas porções de papaia com cassis, e o gasto final, para duas pessoas, ficou em uns centavos a menos de cento e cinco Reais. Um pouco mais caro do que estou acostumado a pagar, mas valeu cada centavo pelo conjunto de instalações, atendimento, comida, etc.

Quem quiser provar o cardápio inteiro tem a possibilidade de almoçar no Bar do Epicurista de segunda a sexta: a modalidade de serviço é o rodízio, e todos os pratos ficam disponíveis ao preço de aproximadamente trinta e quatro Reais por pessoa. Aproximadamente, porque não tomei nota e minha memória não registrou o valor exato, apenas esta cifra.

Quem quiser fazer uma visita ao local, o endereço é Av Dr. Francisco Junqueira, 3280, na esquina com a Nove de Julho.

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2 Comentários

  • Responder
    Zuleica Alem
    14 de outubro de 2013 at 6:24 pm

    Olá Janio,

    Não posso negar duas coisas. Primeiro que você escreve muito bem e com muita propriedade. Segundo que realmente tem bom gosto.
    O Bar do Epicurista é um local para apreciadores da boa mesa e estamos sempre muito atentos em relação ao atendimento, serviço, higiene e novidades.
    Ter clientes como você nos enche de orgulho, é para isso que trabalhamos, deixar nossos clientes plenamente satisfeitos.
    Gostaria de fazer algumas considerações, se me permite. Quanto à climatização, já tentamos todas as formas, mas pelo tamanho do restaurante e por ser totalmente aberto, colocar ar condicionado fica inviável, climatizador gigante atrapalha pelo barulho e a ventania, então continuamos com nossos ventiladores com aquele vaporzinho de água, para o terror dos cabelos femininos… rs.
    Quanto as cebolas… ahhh as cebolas. A maioria devolve, por isso, encontramos nas duas rodelas a medida ideal para atender nossos clientes, e é claro que, quando alguém pede mais rodelas, servimos prontamente. Não seria por conta da cebola que você iria nos odiar.
    Quanto aos guardanapos, realmente você tem razão, o de tecido não tem o perfil do restaurante e o de papel, vamos colocando aos poucos por educação mesmo, viu? não é por economia não, mas é só solicitar que a reposição é imediata.
    Quanto a quantidade que vem nos pratos serve bem duas pessoas, se comerem como eu, servirá 4 (kkk… desculpa). Nossos pratos são bem servidos.
    Na próxima vez que vier nos visitar experimente nossa Picanha de sol completa, você não vai acreditar o tanto que é gostosa, o purê de mandioca que acompanha é simplesmente divino. Tenho certeza que você vai adorar. Os outros pratos, são igualmente deliciosos.

    Quando vier novamente me mande um inbox que irei almoçar com você. Será um prazer te conhecer, vou até arriscar te dar um brinde da casa.

    Volte mais vezes, adoramos ter clientes como você. Apreciadores da boa mesa.

    Abraços

    Zuleica Alem
    Marketing Epicurista

  • Responder
    Samantha
    14 de outubro de 2013 at 8:03 pm

    Por isso que eu e o Daniel levamos sempre nossos guardanapos no bolso. 🙂

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